• Pr. Manolo Damasio

34 - Precisamos uns dos outros

Seu Gil era um homem calejado pelo trabalho em um pomar, há mais de 20 anos. O dono das terras, “chefe do bando”, como assim o intitulavam seus inconformados gerentes, era um homem ríspido, altamente profissional, altivo, centralizador e ditatorial. Todavia, em que se pesem essas características negativas, era extremamente competente no que fazia, o que justificava o crescimento daquela empresa de fruti- cultura.

Todos os meses, o “chefe” reunia os gerentes (eram 16) dos vários departamentos e pedia-lhes o relatório das atividades mensais. Repreendia os que não alcançavam os objetivos traçados para aquele mês e não se reportava aos que cumpriam bem a sua parte. Em seguida, tirava da bolsa um calhamaço de papéis contendo as instruções para alcançar as metas de cada setor no mês seguinte e as distribuía entre os gerentes.


Então, despedia a todos, marcando a próxima reunião. Quando terminava a chatíssima reunião, todos os gerentes, inclusive Gil, reuniam-se na sala correspondente a eles e falavam muito mal do “chefe”. Não faltavam argumentos, queixas e promessas de mudança de emprego tão logo aparecesse uma outra oportunidade. Ali, todos trabalhavam sob tensão.

Um dia, Gil leu alguma coisa que falava de interdependência e proatividade. Decidiu mudar. “Bolou”, ele mesmo, um programa alternativo ao do chefe e pediu uma audiência com ele, no que foi atendido. Expôs seu plano e teve o cuidado de dizer que tudo foi feito com base no plano do “chefe”, sem o qual, nada ele seria capaz de realizar.


Absorto, o chefe verificou tudo. Fez algumas poucas correções e ordenou que colocasse o plano em marcha. Na reunião seguinte, os resultados de Gil foram maravilhosos e o chefe não entregou um plano de trabalho para ele para o mês seguinte. Simplesmente pediu que ele mesmo o fizesse. Outro detalhe: teceu-lhe rápidos elogios. Foi o bastante! Na sala dos gerentes, eles agora tinham mais um de quem falar.

Por três meses seguidos, o gerente do setor “X” não de acordo com os padrões da empresa. Por fim, foi chamado pelo chefe e recebeu a carta de aviso-prévio. Na sala dos gerentes, expressou sua tristeza e seu desapontamento, além das lamentações por estar perdendo um bom emprego, ao menos do ponto de vista do salário. Gil, que sabia que esse colega de trabalho falava muito mal dele, foi superior a tudo isso e, aproximando-se do colega, solidarizou-se com ele, ofereceu-se para ajudá-lo na elaboração de um plano mais ousado para o setor “X” e colocou o pessoal sob seu comando à disposição desse setor. Esse gerente, a caminho da demissão, aceitou tudo, pois era a sua única esperança.

Os dois trabalharam duro e logo o projeto alternativo ficou pronto e foi executado. A reunião seguinte ocorreu cinco dias antes do dia de desligamento do gerente demitido.


Nessa ocasião, o setor “X” expôs um magnífico relatório de sucesso. Tudo acima das metas traçadas pelo chefe. Para tristeza do gerente demitido e de Gil, o chefe não disse absolutamente nada e procedeu como antes. Chegou o dia em que o infeliz gerente deveria receber suas contas e pegar, no setor de recursos humanos, sua carteira profissional com a demissão assinada. Para seu espanto, a secretária informou-o de que não recebera qualquer ordem do chefe para demiti-lo e, em lugar disso, o agora afortunado gerente percebeu que, em sua carteira, havia um aumento espontâneo de salário.

Desde esse dia, eram agora três as pessoas de quem se ouvia falar na sala dos gerentes. Por fim, o “modo Gil de ser”, foi contagiando os gerentes e todos foram se tornando proativos e interdependentes. Uns con- tribuíam para o sucesso dos outros porque sabiam que cumprir as metas era a única forma de garantir o emprego. Desse modo, quando um gerente comple- tava suas metas, imediatamente colocava seu pessoal à disposição do colega que não lograra alcançar seus objetivos. Impressionado, o chefe quis saber como fazer para se tornar amigo dos demais gerentes e Gil o aconselhou a visitar com regularidade a sala dos gerentes. Agora, naquele recinto, só se ouviam risos e histórias de sucesso. A empresa crescia e, com ela, todos lucravam juntos.


A interdependência é um caminho difícil, mas vitorioso

Não saímos de nosso mundo egoísta com facilidade. Mudar é algo que custa... Tem um preço. Acima de tudo, requer a consciência da necessidade de mudança de estratégia. Passei uma vida tentando mudar meu filho. Queria que ele fosse uma fotocópia de mim mesmo. Eu era um “padrão de exatidão” que nunca dava certo. Quando deixei de tentar mudá-lo, ele simplesmente mudou. Percebi, então, que eu o havia atrapalhado o tempo todo e retardado a sua mudança.

Comece já criando um projeto pessoal de vida. Em seguida, submeta-o à análise e crítica dos membros da família. Depois, todos juntos deverão traçar um projeto para a família, e desta para a sociedade. A família não deve viver apenas o dia-a-dia. Deve ter um alvo a alcançar, sempre. O Dr. Covey diz que “a forma mais ampla de criação mental é a missão familiar ou matrimônio”. Sabemos que ele está certo. O matrimônio é uma instituição edênica, que está sob ataque. Deus mesmo assentou as bases dessa sociedade e ela não haverá de ser derrubada. No momento, está sob ataque feroz, mas triunfará porque é perfeita na forma em que Deus a criou.

Como segundo passo, estabeleça datas para encon- tros, com finalidades de conversar, rever os planos e recrear-se. Convém estabelecer as prioridades. Também é conveniente flexibilizar a agenda, pois a família deve ser movida por propósitos e não por datas e metas pré-estabelecidas.

A forma de pensar é o ponto seguinte a ser trabalhado na família. O “eu” deve ser trocado pelo “nós”. Todos devem pensar em ganhos gerais e não em ganhos individuais com perdas para outros.

Outro passo em direção à interdependência deve ser a compreensão. Deve-se ter a consciência de ouvir uns aos outros e primeiro buscar compreender para depois ser compreendido. Ouvir é uma arte. No silên- cio há muita sabedoria.

Em seguida, é bom desenvolver um plano de ajuda mútua, numa relação de amor e companheirismo, onde o problema de um passe a ser o problema de todos. É a ajuda mútua em ação.

Por fim, estimule o crescimento harmonioso de cada membro da família nas seguintes dimensões: física, mental/emocional, social, ambiental e espiritual. Saiba, porém, que a dimensão espiritual é a principal, porque ela é a unificadora das demais.


Dicas

1. Tome tempo para ler o capítulo VI, “O Lar”, do livro A Ciência do Bom Viver, escrito por Ellen G. White.

2. Busque uma leitura auxiliar no livro O Lar Adventista, da mesma autora.

3. Quem sabe o livro Os 7 Hábitos das Famílias Altamente Eficazes, de Stephen R. Covey, pode ser uma boa pra você.

4. Ore a Deus para que o inspire a fazer algo pela família e pela sociedade.


Lembre-se: Deus tem uma bênção cada dia para você e sua família e, de posse dela, poderá experimentar a verdadeira interdependência, pois...



Quando o amor de Cristo se encontra no coração, como um suave perfume, esse amor não pode ficar escondido. Sua santa influência será sentida por todos aqueles com quem entramos em contato. O espírito de Cristo no cora- ção é como fonte no deserto, que ali está para refrigerar a todos, despertando nas pessoas desfalecidas o desejo de beber da água da vida. No coração renovado pela graça divina, todas as ações são feitas por amor. Ele modifica o caráter, governa os impulsos, as paixões, a inimizade e torna mais nobres as afeições. Esse amor faz com que a vida se torne mais amena e espalha ao redor uma influ- ência de bondade. – Caminho a Cristo, págs. 77 e 59.




O conceito de saúde vai muito além do comer e beber.


Que Deus transforme todas as áreas da nossa vida, para a Sua própria glória.




A diferença é a oração

“A oração é a resposta para cada problema da vida. Ela nos põe em sintonia com a sabedoria divina, a qual sabe como ajustar cada coisa perfeitamente. Às vezes, deixamos de orar em certas circunstâncias porque, a nosso ver, a situação é sem esperança. Mas nada é impossível com Deus. Nada é tão emaranhado que não possa ser remediado, nenhuma relação humana é tão tensa que Deus não possa trazê-la à reconciliação e à compreensão; nenhum hábito é tão profundamente enraizado que não possa ser vencido; ninguém é tão fraco que Ele não possa tornar forte. Ninguém é tão doente que Ele não possa curar. Nenhuma mente é tão obscura que Ele não possa tornar brilhante. Se alguma coisa nos causa preocupação ou ansiedade, paremos de propagá-la e confiemos em Deus por restauração, amor e poder.” Review and Herald, 7 de outubro de 1865.



Fonte: 2 Seminário de Enriquecimento Espiritual, DSA 2017.

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