• Pr. Manolo Damasio

22 - Pratique introspecção e meditação

No glorioso esplendor da Tua majestade, e nas Tuas maravilhas meditarei. Salmo 145:5, TB.

Hoje em dia, existe um grande número de técnicas de relaxamento e autoconcentração sob o título de “ajudas psicológicas”. Algumas produzem bons resultados para certas pessoas e outras são mais efetivas para outras. Qualquer que seja a técnica, se é boa para o indivíduo, leva a uma suave reação no corpo. Todavia, esses meios não permitem, como meta final, o reencontro com a “realidade última” (que, a nosso ver, é nos entregarmos à influência positiva e trans- formadora do Espírito Santo). Portanto, referimo-nos a essa forma – estruturada ou sem estrutura – de meditação na qual a pessoa trata de estabelecer um contato direto, significativo e iluminador com Deus.


Essas pausas periódicas, que nos tiram da agitação diária e da carreira interminável de obrigações, permitem-nos fazer um balanço dos nossos pensamentos e conduta, avaliar os progressos e planejar o futuro. Além de ajudar a pôr um foco em nossa vida, também exercem influência calmante em nosso sistema nervoso, limitando suas reações impulsivas e mantendo-nos em paz com Deus,conosco mesmos e com o mundo que nos cerca.

A introspecção é o estado de contemplação ou o estar absorto com os próprios pensamentos. É um estado ou condição em que a pessoa alcança impermeabilidade ao mundo externo e, portanto, pode concentrar-se em seu mundo interno.

Deve-se distinguir esse ato da hiperosexia (o estado de preocupação apresentado por pessoas mentalmente enfermas, que dão uma atenção exagerada a seus sentimentos e pensamentos). A introspecção é um elemento importante na meditação. É por meio dela que nos implicamos no conteúdo de nossas reflexões.

Muitos pensam que a meditação é a simples leitura da Bíblia ou de um livro inspiracional pela manhã, sem sequer parar para tomar consciência sobre como tal conteúdo se aplica de alguma forma à própria vida.

Em Romanos 7, Paulo parte de um esforço introspectivo:


“Porque não faço o bem que quero, mas, o mal que não quero, esse faço.” Romanos 7:19.

A partir da conscientização do seu conflito interior e de como isso o incomodava, de sua incapacidade de resolvê-lo por si mesmo, ele chega à solução do seu conflito:


“Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito.” Romanos 8:1.

Já a meditação é um dos processos por meio do qual podemos alcançar serenidade, paz, gozo, maior eficiência na vida diária. Aumenta a nossa capaci- dade cognitiva e emocional para amar, uma vez que desenvolvemos uma percepção mais profunda da realidade e da compreensão de Deus.


“A minha boca falará sabedoria; De entendimento será a meditação do meu coração.” Salmo 49:3, NTLH.

A meditação bíblica tem Cristo como centro. E o que quer dizer isso? Um exemplo: quando Jesus pegava um tema do coti- diano e tirava uma lição espiritual, como a parábola da figueira, fazia os discípulos, pela contemplação da natureza, chegarem ao conhecimento de uma verdade espiritual sobre o reino de Cristo.


Essa pode ser considerada uma meditação cristocêntrica, ainda que o tema inicial fosse uma simples figueira. Já um indivíduo que, freqüentando reuniões de certos grupos religiosos, aprende como Cristo vai realizar uma transformação em sua vida financeira, chega mesmo a ser orientado pelo líder espiritual a ver Jesus agindo em seu favor.


Embora a meditação tivesse Cristo como tema, teve o homem e não Deus como centro. O Salmo 73, por outro lado, começa com uma inquietação bem humana: porque os ímpios prosperam e os bons passam dificuldades? Asafe só encontrou uma resposta quando entrou no santuário.

As inquietações pelas quais passamos ao longo da vida podem vir a ser um caminho bem oportuno para desenvolver o hábito de tornar a meditação essencial no uso do tempo a cada dia. É o momento em que abrimos o coração a Deus e descobrimos em Sua revelação o remédio para as nossas angústias. Ou, o contrário, é o momento em que adoramos a Deus e descobrimos mais um motivo para desejar a Sua presença em nossa vida.


O que não podemos fazer é determinar, sob o rótulo de cristocêntrico, apenas um modelo, já que os próprios escritores bíblicos escreveram de tantas e tão belas formas.

Meditar é como um retorno. É o reencontrar-se com fases da vida ou áreas com as quais havíamos perdido contato. Cristo afirmou que deveríamos ser como crianças, se desejarmos entrar no reino dos Céus (Mateus 18:3). Logo nos vemos lembrando de nossa própria infância e de lá extraímos lições espirituais.


Lendo a oração de Cristo em que Ele fala do perdão, alguém pode lembrar-se de uma situação traumática em sua vida (um período ou fase triste) gerada por alguém próximo, que ainda não conseguiu perdoar. Uma pessoa que vivia estressada, ao estudar a Bíblia, descobre Mateus 22:37 a 39 e entende o quanto tem deixado de lado os relacionamentos (com Deus, consigo mesmo e com o próximo) por conta das demandas de trabalho. Sua meditação fez com que entrasse em contato com uma área de sua vida que estava sendo menosprezada.

Essa atividade permite-nos um acesso a mais em nossas potencialidades, muito acima do pouco que as utilizamos, porque não estamos em contato diário com elas. Sabemos que muitos de nossos talentos e dons têm sido enterrados, quer por um desenvolvi- mento medíocre, devido aos traumas de nossa infância, quer simplesmente porque cremos e nos fizemos adultos em um meio ambiente pouco sofisticado e falto de estímulos. Daí o valor corretivo e medicinal da meditação.

Não há um caminho curto para alcançar esse objetivo. Assim, por meio da meditação, entramos em contato com valiosas qualidades que, em alguns casos, nem sabíamos que estavam em nós mesmos. Uma pessoa que fuma e não consegue largar o cigarro afirma: “Não sou capaz de largar o vício.” Ao conhecer a Cristo, passa a encontrar forças para exercer seu domínio próprio sobre o cigarro. Em outros casos, a pessoa vive um terrível senso de baixa auto-estima. Quando conhece a Cristo e passa a meditar em Sua palavra, diariamente, começa a enxergar coisas positivas em si mesmo. Já é capaz de ser uma pessoa bondosa e aprende a amar! Começa a descobrir os resquícios de uma imagem e semelhança com a qual fomos criados, uma imagem que o pecado teima em apagar. Desse modo, a meditação diária, com o propósito principal de buscar a Deus, vai nos levar a experiências recompensadoras.

A meditação cristã refere-se a:

• Um estado de elevada consciência ou elevada compreensão interna de Deus, de si mesmo e de outros tem conseqüências positivas no estilo de vida e na conduta de quem a pratica.

• Um estado de desconexão da confusão do mundo, fazendo a pessoa estar conectada a Deus e aos outros; confronta o estresse da vida com uma nova força ou poder espiritual.

• Uma comunhão intensamente pessoal com Deus, de espírito e mente, para pôr em movimento nossa capacidade de transcendência.

• Meditação organizada do que é mais simples para o mais complexo, de acordo com a capacidade de cada um. A graça, como tema de meditação, oferecerá assunto por toda eternidade para o maior dos sábios, mas o mais simples adorador encontrará alimento ao demorar-se em contemplá-la.

• Razão, a doutrina e o intelecto são enfatizados.

• Uma profunda união com Deus por meio da oração ou uma consideração reflexiva da verdade das Escrituras.


• Um “caminho até o Eterno”: a meta é uma união significativa com Deus para alcançar a realização.

• Vontade ativa: a Bíblia fala de santificar o corpo, a alma e o espírito. Ao meditar, devemos fazê-lo de forma integral. Nosso intelecto, nossas emoções devem estar voltados para Deus.


Sabemos que nem todos obteremos os mesmos resultados com um tipo de meditação, por isso, limi- tamo-nos aqui a oferecer os princípios básicos que você deve manejar para iniciar-se nessa valiosa expe- riência. O tipo ou forma de meditação que sugerimos, expresso em seu mínimo denominador comum, é composto dos seguintes passos:

Para meditar


1. Busque um lugar tranqüilo, onde não esteja exposto a distrações, ruídos, excesso de luz e, especialmente, ao telefone.

2. Sente-se ou ajoelhe-se em um lugar confortável e suave.

3. Use bem a respiração. Inspire e expire profundamente.

4. Medite quando não estiver cansado ou intelectualmente fatigado, pois, de outra forma, não poderá concentrar-se ou sentirá sono.

5. Assegure-se de que já tenha entendido bem o que significa meditação antes de iniciar a atividade.

Meditação é o ato de refletir em pensamentos profundos e continuados; é uma reflexão solene sobre assuntos sagrados ou pessoais, voltados para Deus e expressos em forma de narração (monólogo) ou com pausas, para permitir que Deus, por meio de Seu Espírito, trabalhe em nós e possamos então organizar os nossos pensamentos para chegar a uma conclusão sábia ou perceber Sua contribuição diretamente.

6. Se você está iniciando, sugerimos o tipo de meditação não estruturada, ou seja, concentre-se em um ponto ou tema por vez e trabalhar nele – mesmo depois da meditação – até alcançar o objetivo. O excesso de estrutura impedirá que você aplique suas energias físicas, emocionais e espirituais no tema de sua meditação.

7. Comece com temas bem gerais (Exemplo: Senhor, por que sou tão defensivo? Por que sou tão sensível à crítica que não posso escutar tudo o que me dizem, pois bloqueio meu contato com a realidade nesse momento? Esse temor abrirá sua própria estrutura defensiva e iniciará o caminho até a auto-avaliação, que o levará à auto-aceitação e, finalmente, a reconhecer a necessidade da ajuda que encontrará na Palavra de Deus.


O Salmo 77 é um modelo de meditação que caminha nessa direção. A partir de suas inquietações, Asafe encontra nas obras de Deus o alívio para a sua angústia). Por meio desse processo, você pode dar gigantescos passos para desenvolver sua inter- relação com os demais e alcançar a sua maturidade emocional. Lembre-se, porém, de que não há apenas um modelo de meditação.

8. Use a meditação como uma ferramenta e os resultados como sinais que o guiarão pelo caminho certo, mas, recorde-se de que sua meta é encontrar-se com Cristo.

O bom uso da respiração é uma prática que poderá acrescentar um excelente recurso à sua prática de meditação.


“Para possuir bom sangue, é preciso respi- rar bem. Plena e profunda inspiração de ar puro, que encha os pulmões de oxigênio, purifica o sangue. Isso comunica ao mesmo uma cor viva, enviando-o, qual corrente vitalizadora, a todas as partes do corpo. Uma boa respiração acalma os nervos, estimula o apetite e melhora a digestão, o que conduz a um sono profundo e restaurador.” – CBV, p. 272.

Em geral, a pressa do cotidiano e a má postura acabam por dificultar a respiração que, em muitos casos, é ofegante e ansiosa. Por isso, o Espírito de Profecia sugere que devemos reeducar nossas práticas de respiração para termos os benefícios desse remédio natural (o ar puro).


“O professor deve impressionar seus alunos com a importância da respiração profunda. Mostre como a salu- tar ação dos órgãos respiratórios, auxiliando a circulação do sangue, revigora o organismo todo, estimula o apetite, promove a digestão, e leva a conciliar um sono profundo e agradável, dessa maneira não somente refrigerando o corpo, mas também acalmando e tranqüilizando o espí- rito. E ao ser apresentada a importância da respiração profunda, deve insistir-se na prática. Dêem-se exercícios que a promovam e cuide-se de que fique estabelecido o hábito.” – OC, 365.

Além de “acalmar os nervos” ou ser relaxante, a boa respiração produz saúde. Para tanto, deve-se procurar uma posição confortável e praticar a inspiração e a expiração profundamente, enchendo os pulmões e esvaziando-os usando os músculos abdominais.


A boa respiração pode ser uma grande aliada no processo de relaxamento quando você estiver tenso, preparando você para uma boa meditação, que certamente irá redundar em bem-estar e maior espiritualidade.


“Mas ele faz da Lei do Senhor a fonte de sua alegria. A todo instante, de dia e de noite, ele pensa nessa Lei; fica ima- ginando como pode obedecer ao Senhor mais de perto.” Salmo 1:2, BV.

Enfim, que a cada dia você possa fazer como o salmista:


“No glorioso esplendor da tua majestade, e nas tuas maravilhas meditarei.” Salmo 145:5, TB.

Viver na presença de Jesus a cada momento é o que vai fazer de você uma pessoa espiritualmente vitoriosa. Então:


“Quando vos assaltam tentações, quando vos rodeiam cuidado e perplexidade, quando, deprimidos e desanima- dos, vos achais prestes a ceder ao desespero, olhai a Jesus, e as trevas que vos envolvem dissipar-se-ão ao brilho de Sua presença. Quando o pecado luta pelo predomínio em vossa alma, e sobrecarrega a consciência, olhai ao Salvador. Sua graça é suficiente para subjugar o pecado. Que vosso grato coração, trêmulo de incerteza, volva-se para Ele. Apoderai-vos da esperança posta diante de vós.” – CBV pág. 85.

“Não devemos fazer de nós mesmos o centro, ficando ansiosos e cheios de medo quanto à nossa salvação. Tudo isso nos desvia da Fonte do poder. Entregue a Deus a tarefa de salvá-lo, e confie nEle. Fale sobre Jesus e pense nEle. Que o próprio eu se perca nEle. Abandone a dúvida; esqueça seus temores.” – Caminho a Cristo, pág. 71.

Estragar é fácil. Concertar dá um pouco mais de trabalho.


A graça de Deus visa reconstruir a imagem de Deus em nossa vida.


Siga dando um passo após o outro.



A diferença é a oração

“A oração é a resposta para cada problema da vida. Ela nos põe em sintonia com a sabedoria divina, a qual sabe como ajustar cada coisa perfeitamente. Às vezes, deixamos de orar em certas circunstâncias porque, a nosso ver, a situação é sem esperança. Mas nada é impossível com Deus. Nada é tão emaranhado que não possa ser remediado, nenhuma relação humana é tão tensa que Deus não possa trazê-la à reconciliação e à compreensão; nenhum hábito é tão profundamente enraizado que não possa ser vencido; ninguém é tão fraco que Ele não possa tornar forte. Ninguém é tão doente que Ele não possa curar. Nenhuma mente é tão obscura que Ele não possa tornar brilhante. Se alguma coisa nos causa preocupação ou ansiedade, paremos de propagá-la e confiemos em Deus por restauração, amor e poder.” Review and Herald, 7 de outubro de 1865.



Fonte: 2 Seminário de Enriquecimento Espiritual, DSA 2017.

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